“Curta Criativo” cumpre seu papel junto aos jovens cineastas

CMYK ba´sicoForam vários meses de muito relacionamento. Em abril, começamos nossos canais no Orkut, Facebook, Twitter e no blog, conversando com muitas pessoas amantes da sétima arte e interessadas em participar do “Curta Criativo”. Com isso, ajudamos também esses novos profissionais a entenderem suas dificuldades para produzir seu curta-metragem. O trabalho chega ao final com 110 posts, 334 tweets, muita interação no Facebook e mais de 250 vídeos inscritos.

Agora, o concurso entra na fase de seleção dos melhores trabalhos pelo júri, composto por grandes nomes do cinema brasileiro, e que premiará seis vídeos (primeiro e segundo lugar), em três categorias: ficção, animação e documentário. O resultado será divulgado em novembro.

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Confira os 10 filmes indispensáveis para um bom cineasta

"Deus e o Diabo na Terra do Sol" é o 1º da listaDeus e o Diabo na Terra do Sol é um dos filmes indispensáveis para um bom cineasta

Assistir a muitos filmes é essencial na formação de qualquer cineasta. Por isso, o “Curta Criativo” reuniu em uma lista os 10 filmes indispensáveis para quem quer fazer cinema. A pesquisa foi realizada com os 40 profissionais entrevistados no blog, que deram sua opinião sobre os longas-metragens nacionais mais importantes para a formação desses jovens.

Confira!

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Victor Van Ralse: “Se não há plateia, não há cinema”

Para Victor Van Ralse, educador do Cinema Nosso, “se não há plateia, não há cinema”. Por isso, em sua entrevista para o “Curta Criativo”, ele convidou todos os cineastas para exibirem suas produções no Espaço Cinema Nosso. “Se alguém que está lendo essa entrevista quiser passar o seu filme lá, pode deixar um comentário aqui no blog que entraremos em contato.”
Van Ralse acredita que os cineastas precisam trocar e caminhar juntos para fazer um bom filme e, segundo ele, a fórmula para isso está em 2% de talento, 90% de transpiração e 8% de boca a boca. “Cinema se faz com cabeça, coração e tesão.”
O educador ainda acrescenta que uma boa história é o que não pode faltar em um curta-metragem. “No fundo, no fundo, todos nós queremos contar alguma coisa, pode ser linear ou experimental, ousado ou criativo. Como diria Fernando Pessoa: ‘É o que fica depois que passa’, uma boa história.”
Veja a entrevista
Você é um dos educadores do Cinema Nosso, organização social cuja missão institucional é “ampliar o universo cultural e contribuir para o desenvolvimento do senso crítico de crianças, adolescentes e jovens oriundos das classes populares através da linguagem audiovisual”. O que o motivou a se juntar à organização?
Victor Van Ralse: Acredito muito no desenvolvimento do indivíduo de forma integral. Quero dizer que, para desabrochar a personalidade crítica, e acima disso, atuante, se faz necessário conhecer para depois, se necessário, transgredir. Conhecer o meio que nos cerca e principalmente conhecer a si mesmo nos faz um ser humano melhor. E não há forma melhor de adquirir conhecimento do que através da educação.
Há anos vivemos com o audiovisual em nossas vidas, quer se queira ou não. Educar as crianças e jovens no conhecimento do audiovisual é fundamental para que se tornem pessoas melhores nos seus ambientes, além de ser uma obrigação de quem trabalha na área.
O Cinema Nosso faz isso. E faz muito bem. No Cinema Nosso, o aluno é tratado como alguém que não só veio para estudar áudio e vídeo, mas como parte integrante de um todo, que envolve o seu interesse pelo estudo, suas relações com os outros e consigo mesmo.
Estar num projeto assim, onde não há o banal assistencialismo, mas sim um acompanhamento evolutivo, é um prazer para o profissional.
Como surgiu a ideia do Cinema Nosso?
Victor Van Ralse: Bem, estou como Educador do Cinema Nosso há dois anos apenas, não estou desde o início de tudo, quando surgiu como Nós do Cinema, oriundo das oficinas do filme “Cidade de Deus”, e posteriormente mudou o seu foco e se tornou o Cinema Nosso, para novas batalhas, e assim permanece hoje.
A minha ideia de ir para o Cinema Nosso veio da vontade de permanecer dando aulas de cinema. Já vinha de uma experiência gratificante como professor de documentário e edição no projeto “Viajando na Telinha”, dos cineastas Antonio Pitanga e Antonio Molina, e me encantei com o processo de fazer filmes com grupos de alunos. Então cheguei ao Cinema Nosso, para ser educador de cinema, e me integrei à equipe de profissionais da instituição.
Quais são as oficinas em que leciona?
Victor Van Ralse: Sou o educador dos cursos de cinema. Eles se dividem em três módulos, que podem ser associados poeticamente ao famoso “Luz, câmera, ação” do cinema. O primeiro módulo é o Cinema Básico, onde os alunos encontram pela primeira vez o universo da sétima arte. Estudam desde o roteiro até a finalização, passando pela história do cinema até a realização de um curta. O segundo módulo é o Cinema Intermediário, onde há um aprimoramento da técnica cinematográfica. E no terceiro módulo, Cinema Avançado, damos ênfase à experimentação e estudamos outras linguagens do audiovisual.
Além dos cursos regulares, ministro algumas oficinas, como a de filmes em celular.
Cinco filmes do Cinema Nosso participam da 9ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. “Até Quando?” (turma de Animação, 2009/2), “Brisa” (turma de Animação Básica, 2009/1), “Infância” (turma de Animação Avançada, 2009/1), “O Primitivo” (turma de Cinema Básico, 2009/2) e “Família Vegan” (Produtora Escola, 2010) foram escolhidos entre 71 filmes concorrentes da mostra. Como se sente ao ver que o trabalho que vem desenvolvendo está sendo reconhecido?
Victor Van Ralse: É bacana o reconhecimento desses filmes, porque o processo no Cinema Nosso é coletivo, como o próprio cinema deve ser, e isso prova que dá certo. Fui o educador da turma de Cinema Básico que realizou o “O Primitivo”, que é um roteiro bem escrito, leve, e foi bem conduzido pela turma. Essa turma merece que o filme seja visto. Os outros são de animação, sob a orientação das educadoras Ana Rita Nemer e Ivana Grehs.
Desde sua criação (há nove anos), o Cinema Nosso já realizou 45 cursos e 70 oficinas, além de ter produzido mais de 100 curtas-metragens exibidos em diversos festivais nacionais e estrangeiros. Todos esses dados lhe dão a sensação de dever cumprido?
Victor Van Ralse: Me dão a sensação boa de que o trabalho deve continuar.
Costumo dizer nos encontros com os alunos que um filme pode nunca acabar e te consumir durante um tempo muito grande. Para evitar isso, tem um momento que você deve dar o próximo passo e deixar o que já tem. E quando o filme chega na finalização e fica, digamos, pronto, devemos nos desapegar dele e colocá-lo no mundo.
Qual a importância de um concurso de curtas-metragens, como o “Curta Criativo”, para a indústria audiovisual?
Victor Van Ralse: “Curta-metragem é pra família ver.” Já ouvi muito isso durante a faculdade, mas não fazemos o filme só pra eles, fazemos primeiramente para nós e principalmente para o público. Sem os festivais, mostras, cineclubes, etc., para onde iria o curta? Então, é de suma importância para o curta a existência dos festivais como o “Curta Criativo”.
Ainda ressalto a importância dos festivais para a formação de plateia. Como a gente não tem mais a obrigatoriedade do curta antes do longa nas salas de exibição, tem que haver uma outra forma de exibir, e os festivais são responsáveis por isso.
Se não há plateia, não há cinema, gente!
O Cinema Nosso tem uma sala de exibição bem bacana, que pode passar curtas, médias e longas. Se alguém que está lendo essa entrevista quiser passar o seu filme lá, pode deixar um comentário aqui no blog que entraremos em contato. Isso é uma troca bem legal.
Que conselho costuma dar a seus alunos que desejam ingressar na carreira cinematográfica?
Victor Van Ralse: Aproveitando aquela máxima de que conselho não se dá, digo para eles fazerem o que o coração disser que é certo e que a cabeça é para pensar e não colocar fones de ouvido. Estar na posição de educador é saber trocar. No primeiro encontro, digo logo que se eu for ensinar e eles aprenderem, estamos em caminhos diferentes. A gente tem é que trocar para caminhar juntos e fazermos um filme. Eles vêm com a força de vontade, criatividade e ação, e eu só oriento, tenho só uma parte nisso.
Não digo nada muito novo não, digo coisas assim: a fórmula de filme bom são 2% de talento, 90% de transpiração e 8% de boca a boca. Têm duas frases de que gosto muito e aplico na minha vida, e levo isso para os encontros com os alunos. A primeira é de um professor que eu tive, o diretor de fotografia Edson Batista: “ Cinema se faz com cabeça, coração e tesão.” e a outra é do professor Henrique José de Souza: “Realização através do caráter e da cultura”, ele disse isso se referindo à construção de um Brasil melhor pela ação das crianças e jovens. Bacana, né?
Pipocas
De que filme mais gosta?
Victor Van Ralse: Perguntinha complicada.
Para gostar de um filme, levo em consideração o seu contexto e o seu projeto. O porquê, o como e quem faz o filme é muito importante para mim, claro, quando dá para saber essas coisas.
Gosto do Spike Lee. Vou citar o último que vi, “Milagre em Santa Anna”.
Gosto dos filmes do Eduardo Coutinho, adoro “Cabra Marcado pra Morrer”, “Santo Forte” e “Jogo de Cena”.
Sou muito fã e gosto muito dos filmes do Jorge Furtado. Vejo o “O Homem que Copiava” praticamente 5 vezes no ano. “Ilha das Flores” e “Sanduíche” são muito bem feitos.
Também gosto muito de “Pulp Fiction”, do Tarantino, e adoro coisas de nerd tipo “Star Wars” e “Star Trek”. Sou muito fã de ficção científica.
Qual a cena ou diálogo que mais te marcou no cinema nacional?
Victor Van Ralse: “À Meia-Noite Levarei a sua Alma” do José Mojica Marins. O filme todo é muito bom. A cigana anunciando pragas no início é Macbeth, o Zé do Caixão sendo arrastado para o inferno é memorável, cenas fantásticas.
Quanto ao diálogo, no “O Homem que Copiava” do Furtado, o André está fazendo compras no mercado, é a primeira cena. Ele está comprando coisas para casa e tem que levar os fósforos, mas a grana não dá para tudo. Ele leva a carne ou leva os fósforos! É um diálogo primoroso!
Com quem você não deixa de trabalhar em seus projetos, ou seja, quem não pode faltar em suas produções (qualquer pessoa: produtor, equipe técnica, qualquer tipo de ajudante)?
Victor Van Ralse: Eu acho importante fazer filmes onde pessoas que não são do meio vejam. Então, eu busco meus amigos da juventude que são leigos em fazer filmes. Eles veem muita coisa e são muito criativos. Contar com amigos é sempre bom.
Sempre que possível, um aluno participa de algum trabalho comigo. Estar com os jovens é muito bom.
Indique três filmes nacionais indispensáveis na formação de um jovem cineasta.
Victor Van Ralse: 3 filmes, 3 momentos da história cinematográfica brasileira:
- “Limite” (1930) do Mário Peixoto, é único.
- “O Bandido da Luz Vermelha” (1968) do Rogério Sganzerla, é visceral!
- “Saneamento Básico, o Filme” (1997) do Jorge Furtado, é genial.
O que não pode faltar em um curta-metragem?
Victor Van Ralse: Essa é fácil – uma boa história. No fundo, no fundo, todos nós queremos contar alguma coisa, pode ser linear ou experimental, ousado ou criativo.
Como diria Fernando Pessoa: “É o que fica, depois que passa”, uma boa história.
Victor Van Ralse

Victor Van Ralse

Para Victor Van Ralse, educador do Cinema Nosso, “se não há plateia, não há cinema”. Por isso, em sua entrevista para o “Curta Criativo”, ele convidou todos os cineastas para exibirem suas produções no Espaço Cinema Nosso. “Se alguém que está lendo essa entrevista quiser passar o seu filme lá, pode deixar um comentário aqui no blog que entraremos em contato.”

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Jovens cineastas visitam a Labo Cine

Alguns dos jovens que visitaram a Labo Cine

Alguns dos jovens que visitaram a Labo Cine

O Curta Criativo promoveu, no mês de junho, palestras nas universidades UFRJ, PUC-RJ e na Central Única das Favelas (CUFA). Como uma forma de incentivar ainda mais os jovens cineastas, sorteou visitas técnicas à Labo Cine para 40 pessoas que estavam presentes nestes debates. Na última semana, essa nova geração de cineastas esteve no laboratório que tem mais de 50 anos de existência e teve um papel importante na retomada do cinema brasileiro.
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Para Anderson Quak, filmes precisam ter qualidade

Anderson Quak

Anderson Quak

“Você precisa ser criativo e procurar saídas buscando alternativas para ser feliz no audiovisual. Consideramos que isso é melhor do que só reclamar.” Essa é a dica do ex-coordenador do Núcleo de Audiovisual da CUFA Anderson Quak, que hoje atua como diretor da Cia de Teatro Tumulto.

Segundo Quak, as produções audiovisuais precisam de qualidade para que o espectador compreenda a história, e garante: “Criatividade é fundamental para um bom curta-metragem.”
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Julio Worcman: Curta-piada é uma boa tendência do curta brasileiro

Julio Worcman

Julio Worcman

A produção de curtas-metragens no Brasil, atualmente, está ainda mais volumosa que a das décadas de 1980 e 1990. É o que afirma Julio Worcman, idealizador do site Porta Curtas, uma nova janela de exibição para o formato, reunindo boa parte das obras brasileiras recentes. “A quantidade de curtas ótimos tende a aumentar, naturalmente. Por outro lado, a maior oferta de financiamento por meio de editais e o próprio barateamento dos custos de produção trazem junto uma maior quantidade de insucessos”, comenta.

Para o produtor e distribuidor de programas audiovisuais, a produção brasileira de curtas-metragens é muito irregular, mas, ao mesmo tempo, livre, o que permite o surgimento de novas tendências dentro do cinema nacional. A que mais se destaca, em sua opinião, é o “curta-piada”. Leia mais +

Daniela Mercury: Cinema sempre foi uma grande paixão em minha vida

Daniela Marcury/ Foto: Priscila Prade

Daniela Marcury/ Foto: Priscila Prade

Cinema como mais um caminho para expressar a inquietação artística. Foi por esse motivo que a cantora Daniela Mercury resolveu produzir seu primeiro longa-metragem: o documentário “Sonora Rio Bahia”. “Não posso dizer que entrei propriamente no mercado cinematográfico. Como artista, é mais uma expressão artística que me interessa muito. Cinema sempre foi uma grande paixão em minha vida.”

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Filme seu dia e participe do primeiro longa-metragem global

Já pensou em transformar um simples momento do seu dia em parte de uma grande produção cinematográfica? Isso pode acontecer. Neste sábado, dia 24 de julho, acontece o projeto “A Vida em Um Dia”, uma experiência global inédita para criar o primeiro longa-metragem do mundo gerado por usuários: um documentário filmado em um único dia por pessoas de todo o mundo.

Os interessados têm 24 horas para documentar um trecho da sua vida neste 24 de julho com uma câmera. As filmagens mais interessantes e originais serão editadas na forma de um documentário experimental, produzido por Ridley Scott e dirigido por Kevin Macdonald.
Para Macdonald, vencedor do Oscar de melhor documentário por “One Day in September”, o produto final desse projeto não será apenas um longa-metragem feito por internautas. “Esta é uma experiência única em produção cinematográfica colaborativa e uma cápsula do tempo que contará eternamente às futuras gerações como era viver em 24 de julho de 2010”, comenta.
Os vídeos podem ser enviados entre os dias 24 e 31 de julho através do canal “Life in a Day” do YouTube. As melhores filmagens participarão da versão final do filme, e seus “diretores” receberão crédito como colaboradores. O documentário terá sua estreia no Sundance Film Festival, em janeiro de 2011, e será disponibilizado também no YouTube. Além disso, 20 participantes serão escolhidos para ir ao festival com o diretor Kevin Macdonald.
Que tal participar? Você pode encontrar uma ideia interessante e se inscrever também no “Curta Criativo”. Aproveite! Nossas inscrições terminam dia 30/7.

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Catador de material reciclável transforma lixo em cinema

Catador de material reciclável José Luiz Zagati montou sala de cinema com o que achou no lixo

Catador de material reciclável José Luiz Zagati

Lixo pode ser transformado em cinema? Para o catador de material reciclável José Luiz Zagati, sim, isso é possível. Apaixonado por cinema desde criança, ele aproveitou os objetos que achava no lixo para construir uma sala de cinema na garagem de sua casa, em Taboão da Serra, região metropolitana de São Paulo. O sucesso foi tanto que, 12 anos depois da primeira sessão, a sala foi transferida para a parte superior da casa, um espaço maior especialmente montado para a exibição de filmes.

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Paulo Fontenelle: “O curta-metragem foi uma grande escola”

Paulo Henrique Fontenelle

Paulo Henrique Fontenelle

No curta-metragem, a pessoa pode exercitar a criatividade sem estar preso a qualquer tipo de compromisso, a não ser suas próprias convicções. É desta forma que o diretor Paulo Henrique Fontenelle classifica a importância do curta na formação de um jovem cineasta. “O nosso cinema carece de boas ideias e o curta-metragem é sempre um caminho para desenvolver a criatividade e a liberdade da nova geração de cineastas que irão surgir”, completou. Leia mais +