
Daniela Marcury/ Foto: Priscila Prade
Cinema como mais um caminho para expressar a inquietação artística. Foi por esse motivo que a cantora Daniela Mercury resolveu produzir seu primeiro longa-metragem: o documentário “Sonora Rio Bahia”. “Não posso dizer que entrei propriamente no mercado cinematográfico. Como artista, é mais uma expressão artística que me interessa muito. Cinema sempre foi uma grande paixão em minha vida.”
O filme mostra a rotina de quatro jovens negras que trabalham em ONGs do Rio de Janeiro e Bahia, cidades onde vivem, e usam a música como meio de inclusão social. “Acho que o filme trata não só de inclusão social, mas da nobreza e integridade que o contato com a arte restaura ou não deixa se perder. Todos os seres humanos nasceram íntegros e dignos, a sociedade é que tira e a arte restaura, reconstrói o ser humano ou apenas lembra quem somos na essência”, comenta.
A cantora ainda falou de como conciliou a carreira musical com o cinema, dos novos projetos cinematográficos e dos filmes favoritos, além da sua escolha por produzir um longa, ao invés de um curta-metragem. “Porque sou exagerada como Cazuza.”
1. De onde surgiu a ideia de produzir um documentário?
Daniela Mercury: Sou de uma geração que teve influência do tropicalismo, da Semana de Arte Moderna de 1922, do Clube da Esquina e de tantos outros artistas, músicas e estilos. E todas as artes, de uma maneira geral, me interessam. O documentário nasceu dessa minha inquietação artística. Cinema sempre foi uma grande paixão em minha vida. Tenho lembranças maravilhosas de minha infância e adolescência, quando tive contato com os filmes de Fellini e tantos outros diretores espetaculares.
Em agosto do ano passado, lancei o projeto Canibália, que digo que é um “Manifesto de Afetos”. O show foi o primeiro capítulo desse projeto, seguido pelo álbum e, agora, o documentário. Ainda haverá outro documentário, uma exposição de arte etc. O cinema é um afeto que tenho desde criança, assim como a dança, as artes plásticas etc. Canibália é um projeto de 3 ou 4 anos, e ainda vou produzir muitas surpresas nesse período.
2. Você já tinha tido alguma experiência anterior com produção?
Daniela: Tenho muito interesse por todo tipo de arte. Nos meus trabalhos, gosto de estar envolvida com toda a produção, sempre acompanhando tudo de perto. Mas eu nunca havia trabalhado com o universo da produção para cinema, por isso realizei esse projeto em parceria com a produtora “Casa Redonda”, das irmãs e minhas amigas Minom Pinho e Jasmin Pinho, que é a diretora do documentário.
3. Você é conhecida por sua história na música brasileira. Foi difícil entrar no mercado cinematográfico?
Daniela: Produzi esse documentário, que teve a pré-estreia dentro do FEMINA – Festival Internacional de Cinema Feminino, mas ele ainda nem foi lançado exatamente. Tenho muito interesse pelas artes e escolhi o cinema como mais um caminho para expressar essa minha inquietação. Já tive outras relações com a Sétima Arte, quando fiz a trilha sonora para o filme “Canta Maria”, de Francisco Ramalho Júnior. Enfim, mas não posso dizer que entrei propriamente no mercado cinematográfico. Como artista, é mais uma expressão artística que me interessa muito.
4. Ficou preocupada com a crítica?
Daniela: Não, acho que há muitas visões de mundo e não há certo e errado em arte, nem feio e bonito. Há a expressão, isso já é enriquecedor. Se feita com inteligência e sensibilidade, a arte me basta.
5. Em quanto tempo o documentário foi filmado?
Daniela: Entre pré-produção, filmagem e pré-estreia, no FEMINA, foram cerca de 18 meses. Apenas de filmagem, foi uma semana no Rio e uma semana em Salvador.
6. O cinema e a música são duas maneiras de inclusão social. O filme retrata essa característica. Você acha que falta iniciativas desse tipo no Brasil?
Daniela: Acho que o filme trata não só de inclusão social, mas da nobreza e integridade que o contato com a arte restaura ou não deixa se perder. Todos os seres humanos nasceram íntegros e dignos, a sociedade é que tira e a arte restaura, reconstrói o ser humano ou apenas lembra quem somos na essência. Há alguns estados onde a música é parte do cotidiano e está mais presente na vida de todos e onde há muitos projetos culturais. Queria incluir outros estados como Pernambuco, mas me encantei com essas meninas. Quem sabe, possa produzir outro documentário complementar a esse em outros lugares.
7. “Sonora Rio Bahia” acompanha quatro mulheres negras da Bahia e do Rio de Janeiro. Por que você optou por retratar a rotina de mulheres desses dois estados?
Daniela: Existe uma afinidade natural entre o Rio de Janeiro e a Bahia. As raízes afro nesses dois estados são muito fortes, e o samba é uma expressão comum e muito representativa para os dois. Para o documentário, inicialmente, selecionamos organizações não governamentais (ONGs) do Rio e de Salvador, que usavam a música e a arte como instrumentos de inclusão social, que é o mesmo objetivo do meu instituto “Sol da Liberdade”. Mas, durante a pesquisa, nos deparamos com essas quatro mulheres maravilhosas, então, decidimos falar de pessoas, de personagens cujas vidas foram transformadas pela música. O foco mudou para as personagens, mas o coração do documentário continuou sendo a música.
8. Alguns produtores ou cineastas começam suas carreiras no cinema com curtas-metragens por serem menos trabalhosos e dispendiosos que os longas-metragens. Por que optou por começar logo com um longa?
Daniela: Eu, Jasmim e a equipe pensamos em fazer menor, mas o material era tão belo e comovente que se tornou um longa. E porque sou exagerada como Cazuza (risos).
9. Como conciliou sua carreira musical com a produção de cinema?
Daniela: Foi possível produzir com a vida louca que tenho porque Jasmim e eu somos amigas e temos muitos pontos em comum no olhar profundo sobre nossa identidade brasileira. A música é parte da alma e da população, interferindo na nossa maneira de ver a vida e de restaurá-la. Discutimos muito, mas não pude estar tão presente quanto gostaria.
10. Você pensa em produzir outros filmes? Já tem ideias para mais algum?
Daniela: Sim, há outro documentário em andamento à espera de captação, que é sobre a história da axé music. Esse será um enorme desafio.
11. Que conselho você pode dar às pessoas que querem fazer um documentário?
Daniela: Há muitos assuntos para se documentar, e documentário não precisa ser sério. É como uma orquestra tocando música popular, tudo é possível, o real e a ficção estão em tudo que somos e vivemos. Não há limites para a arte.
Pipocas:
1. De que filme mais gosta?
Daniela: “Livro de Cabeceira”, de Peter Greenaway, e “La Dolce Vita”, de Fellini.
2. Que cena ou diálogo mais te marcou?
Daniela: Roberto Benigni e o filho em “A Vida é Bela”, na cena final, quando ele morre.
3. Com quem você não deixa de trabalhar em seus projetos? Quem não pode faltar em suas produções?
Daniela: Gente sem preconceito, corajosa, com experiência ou com um olhar encantado sobre o mundo. Eu ainda estou começando. Quero energia boa, amor e competências mil, como Jasmim Pinho.
4. Indique três filmes nacionais indispensáveis na formação de um jovem cineasta.
Daniela: “Cidade de Deus”, “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, “Bye Bye Brasil” e “Macunaíma”. Esses são alguns filmes que posso citar.
5. O que não pode faltar em um curta-metragem?
Daniela: Quando os personagens ou protagonistas são carismáticos e o diretor sabe aproveitar o melhor e/ou tirar o pior, o curta tem chances de ser cativante com qualquer tema.











Me pone feliz por Daniela!!! La sigo desde sus comienzos y ojalá podamos verlo en Argentina!!! Te adoro Dani!!!!
Fico muito feliz por Daniela ela merece muito tudo isso,sou fã de carteirinha,adoro Daniela minha rainha de coração!!!!!!!!!!!