A era digital ajuda a iniciação de novos cineastas

Palestra sobre cinema na ECO-RJ

Palestra sobre cinema na ECO-RJ

A era digital chegou em boa hora para os jovens cineastas, pois tornou muito mais acessível e barato o processo de produção de um filme. Esta e outras afirmações vieram do grupo de profissionais da indústria audiovisual convidado pelo “Curta Criativo” para uma palestra dirigida a alunos interessados no tema. O evento aconteceu ontem, no Auditório Professor Manoel Maurício de Albuquerque, da ECO – UFRJ. Silvia Rabello, Presidente da LaboCine do Brasil e atual vice-presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Audiovisual (SICAV) do Rio de Janeiro e os cineastas Bruno Safadi e Vinicius Reis falaram de suas carreiras e dividiram suas experiências para a turma que compareceu ao evento, respondendo às perguntas feitas pelos estudantes.

O cineasta Bruno Safadi abriu a palestra contando um pouco de seu início de carreira e da sorte de ter sido assistente de direção de mestres como Julio Bressane, Nelson Pereira dos Santos e Ivan Cardoso. Narrou seu trabalho como curta-metragista até chegar aos seus dois primeiros longas-metragens – “Meu Nome é Dindi” e “Belair”. Este último, que vem fazendo uma bela carreira pelos festivais nacionais e estrangeiros por onde passa, deve ser lançado comercialmente no Brasil em novembro.

Vinicius Reis revelou que sempre quis fazer arte e, para convencê-lo a se mudar para o Rio de Janeiro (na época em que morava em Belo Horizonte), seus pais deixaram claro que ele poderia cursar o Tablado, seu grande sonho. Na escola de teatro, Vinicius trabalhou como ator e assistente de Maria Clara Machado e parecia satisfeito com sua trajetória profissional até que, em 1995, começou a frequentar o Estação Botafogo, “uma descoberta”, em suas palavras. Seu interesse pelo cinema o levou não só a assistir tanto aos filmes de vanguarda quanto aos clássicos como também a ler e estudar cinema. Tanto que abandonou o curso de comunicação na PUC para se graduar em cinema na Universidade Estácio de Sá. Desde então, dirigiu dois curtas-metragens – “Uma Rosa é Uma Rosa” (ficção) e “Gentileza” (documentário) – e três longas: “A Cobra Fumou”, “O Vício da Liberdade”, ambos documentários, e “Praça Saens Peña”, de ficção.

Silvia Rabello, por sua vez, explorou mais o lado técnico do cinema. Explicou que a LaboCine dispõe de tecnologia para qualquer tipo de filme (película, digital, 16 mm etc.), além de trabalhar com filmes em preto e branco e coloridos. Depois de uma explanação didática do processo pelo qual um filme passa antes de chegar às salas de cinema, Silvia ressaltou que, atualmente, um diretor não tem necessidade de montar seu filme fora do país, pois a LaboCine tem tudo o que os estúdios mais modernos do mundo podem oferecer, incluindo restauração digital, animação e efeitos especiais.

Quando perguntados quais os requisitos para se tornar um cineasta, todos foram unânimes em enfatizar a importância de assistir aos bons filmes nacionais, de todas as épocas. Silvia mostrou-se preocupada com o fato de a distribuição não poder ser justa, já que apenas 9% dos municípios do país têm cinema. E concluiu que os blockbusters tiram o espaço para os chamados filmes independentes nacionais, fazendo com que passem sem serem notados pelo público, mesmo que tenham ótima qualidade e recebam críticas favoráveis.

Por outro lado, Vinicius ponderou que “a boa ideia sempre vai vencer a superprodução”.

“Cinema não se faz sozinho”. Uma equipe (ou grupo de amigos, não importa) é necessária para se produzir uma obra. Outra afirmação feita pelos dois cineastas é que só se aprende a fazer cinema “fazendo cinema”, ou seja, pondo a mão na massa. Bruno lembrou que, na arte, o erro é tudo, pois se aprende muito mais com os erros do que com os acertos, e concluiu falando da importância de se expandir os horizontes através da música, da literatura, da filosofia, da história etc. E todos concordaram que a era digital facilitou muito a iniciação na carreira cinematográfica dos jovens, pois, hoje em dia, filmes podem ser feitos com um simples celular ou com a maior parte das câmeras fotográficas digitais. Nunca o lema “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão” foi tão apropriado.

Na próxima quinta-feira, o Curta Criativo estará na PUC-RJ para promover mais  um bate papo sobre cinema junto aos universitários. Lembrando: a palestra é aberta ao público. Por isso, não deixe de participar. Confirme aqui sua participação.

Você também pode adiantar sua pergunta para os palestrantres pelo twitter @curtacriativo, pelo email curtacriativo10@gmail.com e nos comentários desse post.

3 comentários para “A era digital ajuda a iniciação de novos cineastas”

  1. Ariane Barreto Gonçalves disse:

    Sou professora e uma grande apreciadora de cinema. Gostaria de fazer uma curta metragem, (inclusive tenho a história) porém nunca tive oportunidade de fazer um curso ligado a essa área, na cidade em que moro Salvador não temos muitas opções. O que devo fazer, pois tenho muitas dúvidas a respeito da assunto. Existe algum curso/outros na minha cidade onde eu possa estudar? Obrigada,
    Ariane

  2. Oi, Ariane.

    Você pode acessar o site http://www.kinoforum.org.br/ e conferir vários cursos bacanas em todas as regiões do Brasil. Outra opção, é procurar a Secretaria Cultural Local de sua cidade e se informar sobre bons cursos.

    Qualquer outra dúvida, estamos à disposição.
    Abraço,
    Equipe do Curta Criativo

  3. [...] assuntos, como a importância do registro profissional para iniciar uma carreira no cinema, a era digital como um meio de ajuda para a formação dos novos cineastas, a valorização do trabalho do produtor e a grande relevância de bons roteiros, entre outros. [...]

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