
Catador de material reciclável José Luiz Zagati
Lixo pode ser transformado em cinema? Para o catador de material reciclável José Luiz Zagati, sim, isso é possível. Apaixonado por cinema desde criança, ele aproveitou os objetos que achava no lixo para construir uma sala de cinema na garagem de sua casa, em Taboão da Serra, região metropolitana de São Paulo. O sucesso foi tanto que, 12 anos depois da primeira sessão, a sala foi transferida para a parte superior da casa, um espaço maior especialmente montado para a exibição de filmes.
“Sempre gostei muito de cinema, aos 5 anos de idade fui levado pela primeira vez pela minha irmã e fiquei apaixonado. Eu gostei de ver o cinema funcionando, as pessoas sentadas assistindo ao filme. Eu brinquei de fazer cinema, quando ainda menino ganhei meu primeiro projetor. Eu queria muito ‘fazer plateia’ e fazer a alegria das pessoas, mas nunca tive condições, até que virei catador e comecei com isso”, disse Zagati à Agência Brasil.
Chamado de Mini Cine Tupy, o cinema improvisado comporta 60 pessoas, que podem assistir aos títulos do acervo montado por Zagati. Segundo o catador, ele foi juntando equipamentos velhos encontrados no lixo para passar filmes infantis para as crianças da comunidade, mas a busca por novos títulos continuou, e ele passou a abranger outras faixas etárias. Atualmente, parte do equipamento utilizado vem de doações.
“Eu comprei um terreno, construí a minha casa com esse espaço porque dei prioridade ao cinema. Ela é bem simples, mas a procura é bastante grande das pessoas de periferia, crianças e idosos. Todos gostam de ver o cinema, que é de graça, com pipoca de graça. A grande maioria da população brasileira não tem acesso ao cinema, que é caro”, afirmou.
A história de José Luiz Zagati já virou documentário, dirigido por Eduardo Felistoque, premiado em diversos festivais de curta-metragem pelo país.










