
Rosane Svartman - Foto de Cristina Granato
Carioca nascida na cidade de Memphis, no Tennessee (EUA), Rosane Svartman se tornou cineasta por acaso. À época do vestibular, ainda não havia se decidido por uma carreira. Examinando a lista de opções, deparou-se com a cadeira de cinema. Mesmo não sendo uma cinéfila, optou pelo curso. O tempo provou que foi a escolha certa.
Rosane, que atua em quase todos os tipos de mídia, é autora dos longas-metragens “Mais Uma Vez Amor” e “Como Ser Solteiro” (Prêmio Especial do Júri no Festival de Brasília e do Público no Festival de Cinema Brasileiro de Miami). Dirigiu e escreveu também diversos curtas-metragens em 35 mm premiados, como “Anjos Urbanos” (Melhor Roteiro e Direção – Festival de Brasília, 1996), “O Cabeça de Copacabana” (Melhor Filme de Ficção – Festival Internacional do Uruguai, 2000), “Suspiros Republicanos ao Crepúsculo de um Império Tropical” (Torta na Cara de Prata do Festival de Filmes Engraçados, 2002), além dos filmes em 16 mm “Moleque”, “Eros” e “Brazilian Boys”.
Além do cinema, a diretora também já trabalhou em TV, onde dirigiu “Casseta e Planeta Urgente”, para a Rede Globo, além de diversas séries para a TV a cabo, como por exemplo “Quando Éramos Virgens” (GNT), “Não É o que Parece” (Futura), “Claro que É Rock” (Multishow). Como roteirista, escreveu episódios de séries como “Confissões de Adolescente”, de Daniel Filho, “Amor que Fica”, de Marco Altberg, o episódio “Drão” do filme “Veja Essa Canção”, de Carlos Diegues, entre outros.
Extremamente bem humorada e solícita, Rosane concedeu esta entrevista como se fosse um bate-papo entre amigas. Coisa de carioca.
O que te motivou a fazer cinema?
Rosane Svartman: Quando estudava para o vestibular, havia uma lista enorme de profissões para escolhermos. Eu gostava de cinema, mas não era uma cinéfila. Quando vi que havia Cinema, como carreira, escolhi no ato. Era uma das cadeiras mais disputadas. Estudei muito e passei para o segundo semestre da UFF. Foi na universidade que passei a assistir a filmes importantes, que nunca tinha visto. Como estudava de manhã e à noite, tinha a tarde inteira livre para ir ao cinema.
Quando começou profissionalmente?
Rosane: Fazendo de tudo um pouco. Sou da geração que trabalhava em mais de uma mídia. Fui estagiária em roteiro, montagem. Fui assistente de direção em filmes publicitários e longas-metragens. Foi quando comecei a investir em roteiros. Uma vez, quando trabalhava na TVE, tive que fazer um trabalho sobre o Cacá Diegues. Aproveitei a ocasião e mostrei um roteiro para ele. Algum tempo depois, ele me ligou e perguntou se eu tinha um roteiro para o filme “Veja essa canção”. Eu escrevi e dirigi o “Drão”.
Qual a diferença na linguagem de curtas e longas-metragens?
Rosane: Nos curtas, por serem mais baratos e não haver a expectativa de lucros, você pode se dar a chance de errar mais, ter mais liberdade. Além disso, são fundamentais para se aprender a se fazer um longa-metragem. Fiz vários curtas, como “Moleque”, “Eros”, “Brazilian Boys”, “Anjos Urbanos” (melhor roteiro e direção no Festival de Brasília) e “O Cabeça de Copacabana” (melhor ficção no Festival Internacional de Filmes do Uruguai), entre outros.
Seus filmes “Como Ser Solteiro”, “Mais Uma Vez Amor” e “O Cabeça de Copacabana”, além do roteiro de “Mangueira, Amor à Primeira Vista”, são, marcadamente, embebidos do espírito carioca. Você se sente mais à vontade falando da sua cidade? Se sente uma diretora carioca?
Rosane: Quando eu penso em fazer um filme, penso no tema – amor, desencontros, adolescência – não penso na locação da filmagem. Mas eu moro no Rio de Janeiro, é natural que eu me baseie em que eu conheço, no meu universo. Meu próximo filme, “Desenrola”, que será lançado no dia 13 de agosto, se passa no Rio e em Búzios.
Poderia nos contar um pouco do seu envolvimento no projeto “Nós do Morro”?
Rosane: Ensinar é aprender. Quando conheci o projeto do Nós do Morro, há quase duas décadas atrás, foi irresistível: eu tinha que participar daquilo de alguma forma. Eu estava saindo da UFF, onde me formei em cinema, começando a trabalhar principalmente como assistente de direção. Junto com Vinícius Reis, implementei um núcleo audiovisual no Vidigal. Hoje eu tenho ex-alunos que já se inseriram de alguma forma no mercado audiovisual, inclusive alguns deles vão para o famoso festival de Cannes este ano, representando um longa e um curta em exibição! Eu nunca fui a esse festival em duas décadas de carreira, e é com um orgulho imenso que eu vejo que eles chegaram lá.
Que conselhos daria para um jovem que queira se tornar um profissional em cinema?
Rosane: Insista!
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