
Estevão Ciavatta
Estevão Ciavatta pretende lançar seu primeiro longa-metragem, comercialmente, na primeira semana de setembro. “Programa Casé”, documentário que conta a trajetória de Adhemar Casé, radialista e avô de Regina Casér, estreou na última mostra competitiva do Festival É Tudo Verdade. E ele já tem outro projeto em andamento: “S.A.A.R.A.” (sigla de Sociedade dos Amigos dos Arredores da Rua da Alfândega), outro longa, mas, desta vez, de ficção, “que explorará a convivência entre árabes, judeus, chineses e coreanos, além do caldeirão cultural que frequenta o centro comercial popular do Rio”, comenta.
Fascinado por imagens, o adolescente Estevão assistia a filmes de arte em cinematecas e gostava de fotografar. Chegou a ser fotojornalista ao mesmo tempo em que cursava cinema na UFF, onde trabalhou em todas as fases de produção de um filme. Formado em 1993, sua monografia foi curta: “Perdi a Cabeça na Linha do Trem”, que lançou o compositor Nelson Sargento como ator. No mesmo ano, foi fotógrafo no curta-metragem “Geraldo Voador”, de seu amigo Bruno Viana, filme que lhe rendeu o prêmio de melhor fotografia no Festival de Brasília.
No ano seguinte, realizou “Dilúvio Carioca”, inspirado em Nelson Rodrigues. “Esse foi o único curta-metragem que me rendeu lucro. Custou algo em torno de U$ 1.400, mas consegui vendê-lo para o Sesc e para o Canal Plus (França). Deu para pagar o filme, a revelação, a sonorização e ainda sobraram uns U$ 50”, diverte-se.
Em meados dos anos 90, ao mesmo tempo em que começava sua carreira na televisão, Estevão filmou “Nelson Sargento no Morro”, documentário em formato de curta-metragem. Ele conta que havia se tornado amigo do compositor e sentia falta de um registro que lhe prestasse o devido valor. “Gosto muito de pensar que o ajudei nesse aspecto”, comenta.
Ao mesmo tempo que dirigia programas como “Brasil Legal”, “Um Pé de Quê?” e “Central da Periferia”, Estevão também dirigiu os médias-metragens “Polícia Mineira”, no qual colocava em contato jovens negros da periferia com policiais militares e “O Veneno e o Antídoto”, documentário que mostra a procura da Colômbia por caminhos para a paz, em meio a um violento conflito interno. Ambos os filmes foram feitos em parceria com o AfroReggae.
Todo esse trajeto o levou a dar o passo para o primeiro longa-metragem, “Programa Casé”, documentário “com muito material de pesquisa, narrado pelos próprios personagens do filme, como Silvio Caldas, Braguinha, Dorival Caymmi, Orlando Silva, Nássara, Almirante, Carmen Miranda, Silvio Caldas, Noel Rosa, Ciro Monteiro, Silvio Salema, Roquette Pinto etc, através de imagens e áudios de arquivo.” explica Estevão. “Foram anos de pesquisas e tentativas de subsídios.
Participei de vários editais, até que consegui que acreditassem no projeto.” Estevão também pretende lançar a produção em DVD até o final do ano. E depois? “É a hora de me debruçar na produção de “S.A.A.R.A.”, cujo roteiro conquistou recentemente o primeiro lugar do I Concurso Latino Americano de Projetos de Longa-Metragem. O longa de ficção tem em seu elenco a atriz Regina Casé,e trilha sonora de Zeca Pagodinho. O início das filmagens está previsto para o primeiro trimestre de 2010, e o lançamento comercial em salas de cinema, em janeiro de 2011.
Leia as Pipocas com Estevão Ciavatta.










