
Leo Edde
Léo Edde, um dos apoiadores do “Curta Criativo”, é editor, montador, diretor e produtor da Urca Filmes. Sua experiência como codiretor no documentário “Em Busca dos Dinossauros” nos dá uma pista sobre sua formação acadêmica: Leo é formado em Engenharia Civil na PUC-RJ, com especialização em Geotecnia e Meio Ambiente. Entretanto, sua paixão pelo cinema falou mais alto e ele se pós-graduou em Produção Executiva em cinema e TV.
Você é editor, montador, diretor e produtor. O cinema sempre foi uma paixão?
Leo Edde: Sim, sempre foi. Diria que o audiovisual é uma paixão. Fotografia, vídeo, internet e produção de imagens sempre foram minha paixão.
Você já participou de produções bem diversas, como o documentário “Thomaz Farkas”, de Walter Lima Jr., e o ficção “Os Desafinados”, do mesmo diretor. O que prefere – documentário ou ficção?
Leo: Pergunta bem difícil. Documentário é meu sonho. Equipe pequena, “multitarefa”, assunto sempre muito bem estudado e você conhece todos os com quem está trabalhando. Ficção é um mundo à parte. Quase 200 pessoas em um set de filmagem, correria, muito dinheiro gasto. Mas me encanta o tamanho do “valor de produção” (production value) que a gente consegue imprimir. Gerenciar tudo isso é muito estimulante e desafiador. Além disso, a ficção tem uma obrigação de atrair público (sempre considerando um número proporcional ao seu orçamento), o que, por si só, já representa o maior desafio de todos.
Pode comentar como foi a sua experiência como diretor no documentário “Em Busca dos Dinossauros”?
Leo: Foi incrível, praticamente sem querer. Um bom produtor é, na verdade, um codiretor. Ele discute o roteiro, a montagem, o público-alvo. “Em Busca dos Dinossauros” foi um projeto que surgiu na Urca Filmes, comigo. Pesquisamos muito sobre o tema, encontramos especialistas, viajamos, filmamos (eu, particularmente, operei uma das câmeras), depois montei o filme junto com meu sócio. Ou seja, fui o diretor. Essa “classificação”, que veio depois do projeto, não foi imposta. Não é à toa que temos três diretores.
Qual a importância do concurso “Curta Criativo” para o mercado de audiovisual?
Leo: Abre as portas para os novos profissionais, que estão entrando no mercado. Na indústria do audiovisual não é fácil ingressar. As barreiras são grandes, e um concurso como esse coloca em foco esses jovens, o que dá chance aos produtores de enxergarem o trabalho dos novos cineastas, além de colocá-los diretamente em contato com quem deverá contratá-los no futuro próximo.
Você será um das palestrantes nos eventos que o concurso promoverá nas universidades e faculdades. Qual será o tema que abordará com mais ênfase?
Leo: Isso ainda é uma discussão, pois preciso saber a gama de temas abordados. Mas imagino que o público prefira escutar a minha experiência nesse mercado. Como “entrão”, como profissional da área, como empreendedor e, finalmente, como empresário e fomentador de novos negócios e mercados.
Você fez parte do júri em 2008, além de ser apoiador desde então. Como foi a experiência de ter que escolher um entre tantos filmes?
Leo: Sempre difícil! Já na primeira edição tivemos muitos filmes bons. Aqui, o que julgamos é o conteúdo, item mais importante, na minha opinião. O meio técnico pode variar, evoluir, mas o conteúdo é um só!
O vencedor de melhor documentário do ano passado, Marcelo Feijó, ganhou um estágio na Urca Filmes e, recentemente, foi efetivado. Fale-me sobre essa experiência.
Leo: Marcelo é muito talentoso e, como era de se esperar, chegou a todo vapor na Urca Filmes. Até hoje, participou de diversos projetos, como assistente de direção, produção, criação, roteiros etc. Além de produções em andamento, tem ajudado a desenvolver os projetos da casa, item essencial em qualquer produtora de conteúdo.
O que falta nos curtas-metragens, hoje em dia, em termos de qualidade?
Leo: Com a chegada da era digital, os conteúdos começaram a ter menos importância, já que muitas pessoas hoje têm acesso à tecnologia de ponta. Acredito que, aos poucos, esses cineastas se darão conta que devemos ter o mesmo cuidado para fazer um filme em vídeo do que fazê-lo em película. O respeito ao conteúdo, pra mim, é quase uma seita!
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