Negga Gizza pretende lançar filme sobre crack em 2011

Nega Gizza

Nega Gizza

“A sociedade como um todo precisa se enxergar no que é passado nas telas. Não só com as histórias, mas com o que é passado visualmente.” A afirmação é da rapper Nega Gizza, uma das fundadoras da Central Única das Favelas (CUFA), que, atualmente, está dirigindo três filmes e pretende lançá-los em 2011.

Uma das obras que a rapper está dirigindo fala sobre o crack e, segundo ela, é um documentário de emergência, cujo objetivo é propor soluções para combater o uso da droga. “Esta já é uma questão muito discutida dentro da própria CUFA. Estamos agora em fase de pesquisa, mas pretendo iniciar as gravações ainda este ano”, garante.

Confira a entrevista exclusiva de Nega Gizza para o blog do “Curta Criativo”, onde ela conta um pouco sobre as ações da CUFA, sua visão sobre o papel social do cinema, sua participação em alguns projetos audiovisuais e ainda sua experiência no trabalho com os jovens cineastas de comunidades.

Em sua opinião, qual é o papel social do cinema?

Nega Gizza: Minha opinião é que a sociedade como um todo precisa se enxergar no que é passado nas telas. As pessoas precisam se identificar. Não só com as histórias, mas com o que é passado visualmente. Aqui na CUFA, nós enxergamos uma distância enorme do que a gente sempre fez com o que observamos e vemos passar nas telas do cinema.

Quais são os projetos que a CUFA está realizando voltados para o cinema?

Nega Gizza:
O audiovisual com certeza é hoje um dos nossos carros-chefes. Trabalhamos com pequenas oficinas de audiovisual. Temos também cursos para quem quer se especializar em cinema. Na verdade, as funções do audiovisual dentro da CUFA acabam se expandindo muito porque, no final das contas, usamos para tudo. Para fazer videoclipes, gravar eventos internos, produzir documentários, entre outras coisas.

Como fazer para participar das oficinas e cursos da CUFA?

Nega Gizza: Nosso objetivo é dar possibilidade para as pessoas. E por termos uma característica diferente de ensinar e de mostrar como é o cinema, nós acabamos por ampliar o curso para todos que quiserem participar. Às vezes recebemos pessoas que estão fazendo faculdade de cinema, mas querem fazer o curso aqui na CUFA. Claro que damos prioridade para pessoas que precisam ter um entendimento maior no cinema. Mas as oportunidades são iguais.

Os jovens estão mais interessados em fazer cinema?

Nega Gizza: Eu sinto que existe uma curiosidade, mas ainda há uma distância enorme entre ver TV ou ir no cinema assistir a um filme e saber de fato sobre cinema. Algumas pessoas chegam aqui e não sabem nem o que é documentário, não sabem ligar uma câmera. Essa distância que existe é quebrada quando nós propomos a aproximação. Mas a curiosidade traz o interesse. E eles acabam querendo entrar nesse mercado. O número de jovens que recebemos aqui é muito grande, e o mais bacana é que sempre levantamos uma discussão enorme em volta do cinema. E é bacana ver esses jovens saindo daqui para trabalhar em produtoras bacanas ou montando sua própria produtora.

Quais são os assuntos mais abordados nos curtas filmados por eles?

Nega Gizza: Eles falam de tudo e produzem muitos documentários. No último festival que aconteceu, ano passado, tinham histórias bem dramáticas. Eles também falam do cotidiano, fazem um resgate das paisagens do Rio de Janeiro, ou buscam um outro olhar da favela que não mostre a violência. É uma variedade de assuntos, mas vejo que eles sempre estão preocupados com a técnica. Em utilizar um bom plano ou preparar um bom roteiro.

Você participou do projeto Curta na Praça, que levou sessões de cinema gratuitas para praças e escolas municipais de comunidades do entorno da Linha Amarela. Investir em curtas é uma nova ação de inserção social?

Nega Gizza: O projeto é muito bacana. Eu participei no ano de 2009. A maioria do público era de crianças, e elas ficavam aprontando. Essas crianças tiveram a oportunidade de saber mais sobre o cinema. É um outro olhar. Diferente de assistir a um filme na televisão ou na sala do cinema, até porque o evento exibia curtas. É um projeto superinteressante, que acaba levando para o entorno das comunidades um pouco de cultura, de cinema.

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Qual é o filme de que você mais gosta?
Nega Gizza: “Preciosa”, do diretor Lee Daniels. É um filme que traz uma discussão social muito interessante.

Com quem você não deixa de trabalhar em seus projetos?

Nega Gizza: Com a equipe da CUFA. Mas eu sempre dou oportunidade para os nossos alunos que estão iniciando. Assim, eles já ganham experiência.

Indique três filmes nacionais que considera indispensáveis para a carreira de um jovem cineasta.


Nega Gizza:
“Orfeu”, de Cacá Diegues, “Notícias de uma Guerra Particular”, de João Moreira Salles e Kátia Lund, e “Muito Gelo e Dois Dedos d’Água”, de Daniel Filho.

O que não pode faltar em um curta-metragem?

Nega Gizza: Um bom roteiro.

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