Para Anderson Quak, filmes precisam ter qualidade

Anderson Quak

Anderson Quak

“Você precisa ser criativo e procurar saídas buscando alternativas para ser feliz no audiovisual. Consideramos que isso é melhor do que só reclamar.” Essa é a dica do ex-coordenador do Núcleo de Audiovisual da CUFA Anderson Quak, que hoje atua como diretor da Cia de Teatro Tumulto.

Segundo Quak, as produções audiovisuais precisam de qualidade para que o espectador compreenda a história, e garante: “Criatividade é fundamental para um bom curta-metragem.”

Como surgiu a ideia de fazer o Núcleo de Audiovisual da CUFA?
Anderson Quak: Nós tínhamos encontros semanais e recebíamos vários profissionais que falavam de tudo: política, religião, educação… Até que um dia o diretor Cacá Diegues ministrou uma dessas palestras e sugeriu a ideia. O interesse foi total, e não paramos mais

Qual é a sua função hoje no Núcleo Audiovisual da CUFA?
Anderson Quak: Eu coordenei o núcleo durante quatro anos, mas hoje sou apenas um braço forte, ativo, atento e presente dentro da instituição sobre tudo que diz respeito ao audiovisual. Também sou diretor da Cia de Teatro Tumulto.

Qualquer pessoa pode se inscrever nos cursos de audiovisual da CUFA?
Anderson Quak:
Sim. A ideia é ter o máximo de alunos que não podem pagar, que sejam de favelas, mas o curso é aberto a todos. Entendemos que isso fortifica. Sempre que temos a diversidade, somos mais fortes.

O que os alunos têm produzido?
Anderson Quak: De tudo. No início, eles produziam mais documentários, mas hoje produzem videoclipes, animação, peças publicitárias, ficção e tudo o mais que vier à cabeça.

Quais são as dificuldades encontradas para realizar filmes com poucos recursos?
Anderson Quak:
As mesmas de sustentar uma família com poucos recursos ou de ter um carro e não ter dinheiro para pôr gasolina. Você precisa ser criativo e procurar saídas buscando alternativas para sermos felizes dentro do audiovisual. Consideramos que isso é melhor do que só reclamar.

Além dos cursos de cinema, vocês também promovem o CINECUFA, que já está em sua quarta edição. Como funciona esse projeto?
Anderson Quak: O CINECUFA Cufa é uma janela aberta para cineastas que nunca conseguiram ter seus filmes em uma sala de cinema em contexto de festival. Isso é importante. É bom dizer que, como em qualquer festival, a qualidade do filme é indiscutível para que o espectador entenda a história. Então, não tem aquele papo que cinema de favela tem baixa qualidade. Temos qualidade e primamos por ela.

pipocaPipocas

De que filme mais gosta?
Anderson Quak:
“Orfeu do Carnaval”, de Cacá Diegues.

Qual a cena ou diálogo que mais te marcou no cinema nacional?
Anderson Quak:
Alexandre Borges convencendo Marcos Ricca a matar o sócio da construtora, no filme “Invasor”, de Beto Brant.

Com quem você não deixa de trabalhar em seus projetos, ou seja, quem não pode faltar em suas produções (qualquer pessoa: produtor, equipe técnica, qualquer tipo de ajudante)?
Anderson Quak:
Acredito que o outro é indispensável. E eu não me apego à função, apesar de saber que, pela qualidade e sucesso de um projeto, o ideal é estar cada qual no seu lugar. Gosto de profissionais que se multiplicam e fazem tudo ao mesmo tempo. Hipoteticamente falando, diria que não deixaria de trabalhar com o câmera, já que não me garanto muito na câmera, mas não deixaria de fazer um projeto por falta desse profissional.


Indique três filmes nacionais indispensáveis na formação de um jovem cineasta.
Anderson Quak:
“Assalto ao Trem Pagador”, de Roberto Farias, “Ilha das Flores”, de Jorge Furtado, e “Madame Satã”, de Karim Aynouz.

O que não pode faltar em um curta-metragem?
Anderson Quak:
Criatividade.

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