
Sergio Sanz - Foto de Carolina Sanz
Sergio Sanz é um cineasta que joga nas onze. Antes de dirigir, foi assistente de direção, além de ator, montador, fotógrafo e roteirista. E, como se não bastasse e lhe sobrasse tempo, ainda é professor, escritor e gestor público. Enquanto se debruça sobre seu mais novo projeto, Sanz nos deu a seguinte entrevista.
O que o levou a fazer cinema?
Sergio Sanz: Eu nasci no cinema. Não foi uma escolha. Mamãe (Luiza Barreto Leite) era atriz e papai (José Sanz) era crítico. A primeira vez que representei – comecei como ator – não havia completado 10 anos. Entrei para o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) em 1953, com Cacilda Becker e Walmor Chagas. Lá fiquei por mais ou menos um ano. Quando Silvio Autuori voltou da França, em 1956, me chamou para trabalhar e aprender com ele e fizemos alguns comerciais. Depois, quando chegou o Ruy Guerra, não parei mais.
Quando começou a dirigir?
Sanz: Quando fazia o filme “Porto das Caixas” de Paulo César Sarraceni, onde era ator e assistente de direção. Quando as filmagens acabaram, sobrou um rolo de filme e fiz um documentário chamado “Aldeia” que foi premiado no Festival de Oberhausen, além de ganhar o prêmio Humberto Mauro de melhor diretor de documentário, concedido pelo governo do antigo Estado da Guanabara.
Você é cineasta e também roteirista. O que lhe dá mais satisfação em fazer: escrever o que vai dirigir ou dirigir o que escreveu?
Sanz: Sou roteirista ou corroteirista de todos os meus filmes, mas o que mais me dá prazer é, sem dúvida, dirigir. Farei um parêntese para contar uma história interessante. Quando fui casado com Suzana de Moraes, mantive um contato estreito com Vinicius de Moraes, e ele escreveu um roteiro para mim e concorremos em um concurso. Era sobre um menino que nasceu cego e que a família o isolou do mundo, de modo que ele não sabia da existência da visão. Infelizmente, perdemos o concurso e o roteiro nunca foi filmado.
Que conselhos você daria aos jovens que querem se tornar cineastas?
Sanz: Há dois motivos para que se queira se tornar um cineasta: o primeiro é a vaidade, a idéia de visibilidade, glória e dinheiro. Quem estiver nessa categoria, não irá longe. O segundo motivo, que, para mim, é a verdadeira razão para ser um cineasta, é só sê-lo quando há algo a dizer. Nisso, as meninas estão dando um banho nos meninos. Diretoras como Ana Carolina (“Das Tripas Coração”, “Sonho de Valsa”), uma verdadeira pioneira, Eliane Caffé (“Narradores de Javé”, “Kenoma”), Laís Bodansky (“Bicho de Sete Cabeças”, “Chega de Saudade”), Suzana Amaral (“A Hora da Estrela”) e Maria Augusta Ramos (“Justiça”) estão aí e não me deixam mentir.
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