Silvio Tendler: a utopia sempre há de vencer a barbárie

Silvio Tendler - Foto site Foco Jornalístico

Silvio Tendler - Foto site Foco Jornalístico

Silvio Tendler é um dos maiores documentaristas brasileiros e o que tem maior visibilidade. Seu filme “O Mundo Mágico dos Trapalhões” teve 1 milhão e 800 mil espectadores, enquanto “Jango” foi visto por um milhão de pagantes e “Os Anos JK”, alcançou uma plateia de 800 mil pessoas. Cineasta incansável, que mergulha em suas obras de forma profunda, Tendler lançou em abril seu último título – “Utopia e Barbárie”, documentário que consumiu 19 anos de pesquisas, viagens, entrevistas e filmagens e lhe custou quatro casamentos.

“Esse é o meu filme mais pessoal. É narrado na primeira pessoa, ao contrário dos outros”, comenta o diretor. Trata-se de uma reflexão sobre o mundo que formou o cineasta, que completou 60 anos em março, desde a Segunda Guerra até a posse de Barack Obama, passando por acontecimentos que marcaram os últimos 50 anos, como as bombas de Hiroshima e Nagasaki, o Holocausto, 1968 (ano particularmente importante em vários países, entre eles Brasil, França e Chile, entre outros), a queda do Muro de Berlim, a explosão do capitalismo e a maior recessão econômica desde 1929. Tanto a utopia quanto a barbárie do título são abordadas pelo olhar de quem sonhou, viveu e viu seu idealismo se transformar em algo bem diferente do imaginado. Para conseguir finalizar seu trabalho, orçado em R$ 1 milhão, Tendler viajou por 15 países. Nessa trajetória, o cineasta fez uma extensa pesquisa e entrevistou personagens que, de alguma forma, fizeram parte desse mosaico de eventos marcantes. Deram seus depoimentos jornalistas, escritores, diretores, políticos, intelectuais, filósofos, testemunhas e/ ou participantes dos episódios tratados no documentário.

Entre as personalidades nacionais a darem seus testemunhos figuram o poeta Ferreira Gullar, os dramaturgos Zé Celso Martinez Correa, Augusto Boal e Amir Haddad, além de Dilma Roussef e Franklin Martins. Outros notáveis também contribuíram com suas entrevistas, como os cineastas Denys Arcand (Canadá), Hugo Arévalo (Chile), Gillo Pontecorvo (Itália), Amos Gitai (Israel), Marceline Loridan (França),Fernando Solanas (Argentina), Mohamed Alatar (Palestina), Shin Pei (Japão), além dos diretores brasileiros Cacá Diegues, Sérgio Santeiro e Marlene França. Outra figura que não se furtou a falar foi o estrategista do exército vietnamita General Giap.

Convicto que da barbárie brotam as utopias, Silvio Tendler acredita que o mundo é sempre melhor do que já foi um dia e as utopias hão de vencer a barbárie sempre. E foi com o espírito jovial e bem humorado que concedeu uma pequena entrevista ao blog.

O que é necessário para se fazer um bom curta metragem?
Silvio Tendler
: O cineasta precisa ter poder de síntese, além de talento, obviamente. Como sou muito prolixo, costumo fazer longas-metragens.

E para que um documentário tenha êxito?
Silvio
: Um bom documentário deve contar uma história com que o público se identifique e se relacione. E também é preciso convicção a respeito do assunto abordado.

Quais são as maiores dificuldades que os novos cineastas encontram ao tentarem entrar no mercado cinematográfico?
Silvio:
A maior dificuldade é a junção do talento com o tesão. Hoje em dia, em plena era digital, com pouquíssimo dinheiro é possível fazer um grande filme. Eu mesmo acabo de lançar um curta no YouTube chamado “Fragmentos do Exílio”, que me custou R$600,00. Veja bem: a mídia custa R$6,00 e todos têm algum amigo músico disposto a fazer a trilha, alguém consegue a locação de graça ou outro que saiba editar no computador. Chororô (por falta de verba), em época digital, não cabe. O problema é que a turma quer começar com um orçamento de R$200 mil e, para isso, é necessário o patrocínio do governo ou de alguma empresa privada. Quando comecei, eu meus amigos fazíamos filmes para nós mesmos. Conforme fomos nos profissionalizando, os subsídios vieram como consequência. Mas gostaria de fazer uma ressalva: o que eu disse não é uma receita universal. Dependendo do projeto, um documentário pode custar muito dinheiro. Acabo de lançar meu último filme, “Utopia e Barbárie”, que me custou 19 anos de trabalho e dedicação, além de me fazer dar a volta ao mundo. É claro que não saiu barato.
Conheça o site do fime “Utopia e Barbárie”.

O filme “Fragmentos do Exílio”

Leia as Pipocas com Silvio Tendler aqui.

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