
Sinai Sganzerla
A trilha sonora é algo importante no cinema. Segundo a embaixadora do “Curta Criativo”, Sinai Sganzerla, ela tem função essencial nos filmes. “Assim como a música é fundamental na nossa vida diária, também é de extrema importância para criar sensações, valorizar a interpretação, intensificar a fotografia de um filme. Importante em uma trilha sonora é a dinâmica que você pode provocar, como também respeitar o silêncio e o diálogo do filme.”
Musicoterapeuta, assistente de direção, roteirista e atriz bissexta, Sinai é o que podemos chamar de artista multimídia. Além disso, ela é filha do diretor Rogério Sganzerla e da atriz Elena Ignez. Com essa bagagem dentro do cinema nacional, Sinai acredita que a criatividade é essencial para enfrentar as dificuldades desse meio.
Em entrevista exclusiva para o “Curta Criativo”, a embaixadora do concurso afirma que iniciativas como esta são “importantes para estimular novos talentos, além de possibilitar a inclusão no mercado de trabalho audiovisual”. E ainda dá a dica para os jovens cineastas: “Veja todos os tipos de filme, tenha perseverança, acredite na sua intuição e, acima de tudo, acredite em você.”
O que a levou a fazer musicoterapia?
Sinai Sganzerla: Sempre gostei de musica e psicanálise. Descobri a existência da Faculdade de Musicoterapia (Conservatório Brasileiro de Música – RJ) e achei muito interessante uma profissão que utilizasse a música e seus
elementos (ritmo, melodia e harmonia) como linguagem. Trabalhei oito anos com crianças autistas e em instituições ligadas à saúde e desenvolvimento social.
Pode-se dizer que você foi criada em um set de filmagem. O cinema se tornou inevitável?
Sinai: Sempre estive próxima do cinema, como do teatro, desde que nasci. Quando meu pai ficou doente, em 2003, comecei a cuidar dos filmes. Nesse mesmo ano, ele falou que a partir daquele momento eu iria tomar conta dos
seus filmes. Fiquei muito emocionada, pois percebi que ele tinha consciência da gravidade da sua doença, e que eu ainda não tinha. Gosto muito do trabalho que realizo, mas o vejo também como uma “missão impossível”.
Você já foi assistente de direção, roteirista, produtora e compositora de trilhas sonoras. De qual dessas atividades você mais gosta?
Sinai: Todas essas atividades são muito interessantes, representam o casamento da habilidade técnica com a criatividade. Neste momento, estou trabalhando também como produtora executiva do filme “Luz nas Trevas”.
Acho importante, na produção de um filme, além do planejamento e da disciplina, tentar buscar soluções para as dificuldades através da criatividade.
A trilha sonora é importante para um filme. O que os participantes do “Curta Criativo” devem ter em mente na hora de escolher a sua trilha sonora?
Sinai: Assim como a música é fundamental na nossa vida diária, também é de extrema importância para criar sensações, valorizar a interpretação, intensificar a fotografia de um filme. Importante em uma trilha sonora é a dinâmica que você pode provocar, como também respeitar o silêncio e o diálogo do filme.
Você, sua mãe e sua irmã são sócias da Mercúrio Produções. E produziram a sequência de “O Bandido da Luz Vermelha”, o filme mais conhecido e elogiado de seu pai.Como foi essa experiência?
Sinai: Para mim, essa experiência tem sido um aprendizado muito intenso e rico. O filme “Luz nas Trevas” teve um grande número de locações e uma equipe de mais de 130 pessoas (sem contar com atores, figurantes e fornecedores). É uma responsabilidade muito grande, em todos os sentidos, e estamos fazendo tudo para o filme ficar bacana.
No dia 8 de junho, começou a “Ocupação”, uma retrospectiva da vida e obra do seu pai convertida em evento multimídia. Ser filha de dois ícones do cinema brasileiro ajuda ou pesa na sua carreira?
Sinai: A “Ocupação”, no Itaú Cultural (em São Paulo), está muito bonita! Tem objetos pessoais, filmes, fotografias inéditas, um belíssimo catálogo e um site. Essas ações são muito importantes para preservar e difundir a memória de nossos artistas, pessoas que deram suas vidas pela arte. Os filmes do meu pai têm viajado muito através de retrospectivas internacionais (ano passado foram cinco) e houve uma resposta muito interessante do público. Sinto orgulho da trajetória cinematográfica dos meus pais, principalmente, pela coragem e amor ao cinema como forma de viver e se expressar.
Você faz parte do grupo de embaixadores do “Curta Criativo”. Qual a importância de um concurso como esse, de curtas-metragens, para o mercado audiovisual?
Sinai: Essa iniciativa é importante para estimular novos talentos, além de possibilitar a inclusão no mercado de trabalho audiovisual. O concurso oferece prêmios, oportunidade de trabalho, horas em ilhas de edição etc., estimulando também a produção de futuros filmes.
Que conselho daria a um jovem cineasta em começo de carreira?
Sinai: Veja todos os tipos de filme, tenha perseverança, acredite na sua intuição e, acima de tudo, acredite em você.
De que filme mais gosta?
Sinai: Gosto de muitos filmes. Eu gosto muito de “O Bandido da Luz Vermelha”, do meu pai. Vi mais de cinquenta vezes e sempre percebo algo novo. Acabei de rever “O Processo”, de Orson Welles, de 1962, que é uma
aula de cinema!
Qual a cena ou diálogo que mais te marcou no cinema nacional?
Sinai: “Quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha, avacalha e se esculhamba!”, de “O Bandido da Luz Vermelha”, de 1968.
Com quem você não deixa de trabalhar em seus projetos, ou seja, quem não pode faltar em suas produções?
Sinai: É muito importante você trabalhar com uma equipe na qual você confie e que acredite no seu filme. Todas as funções são muito importantes para a realização de um filme.
Indique três filmes nacionais indispensáveis na formação de um jovem cineasta.
Sinai: “O Bandido da Luz Vermelha”, de 1968, “A Família do Barulho”, de 1970, e “Terra em Transe”, de 1967.
O que não pode faltar em um curta-metragem?
Sinai: Criatividade.











[...] roteiro do longa. Suas filhas também participam dessa sequência do “Bandido da luz vermelha”. Sinai Sganzerla é a produtora executiva, e sua irmã Djin faz parte do elenco do filme, que adota uma linguagem [...]