Talento e R$ 400,00 fizeram de Mikael Santiago um produtor

Mikael Santiago

Mikael Santiago

Mikael Santiago estava cursando cinema quando viu um cartaz sobre um concurso de curtas-metragens. Era o “Curta Criativo”. Só faltavam sete dias para as inscrições se encerrarem. Ele e mais dois amigos conceberam, rodaram e editaram um filme e escolheram a trilha sonora em menos de cinco dias. Custo total da produção: R$ 400,00. Resultado: o segundo lugar na categoria “Documentário”, prêmio em dinheiro e a criação de uma produtora cinematográfica. Essa história daria um filme.

É uma pergunta batida, mas inevitável: por que você optou por fazer cinema?
Mikael Santiago: Quando terminei o segundo grau, não fazia ideia da carreira que escolheria, para prestar o vestibular. Meus pais foram muito compreensivos e me deixaram refletir o tempo que fosse necessário. Mas, desde criança, sou ligado às atividades audiovisuais. Mesmo em criança costumava fazer filmes trash juntos com meus amigos. A nossa “produtora” se chamava “Os Retardados”. Um dia, minha mãe se lembrou desse aspecto da minha vida e sugeriu que eu fizesse cinema. A ficha caiu. Passei no vestibular e, já no primeiro período, me apaixonei pelo curso e vi que havia tomado a decisão certa.

O prêmio de segundo lugar pelo gênero documentário no “Curta Criativo” trouxe algum benefício para sua carreira?
Mikael: Lógico. Quando recebemos o prêmio, saímos para comemorar e pensamos em duas opções: ou dividir o dinheiro em três partes, o que não traria nenhum beneficio a longo prazo para nenhum de nós, ou investir em uma produtora, um sonho antigo. Já havíamos pensado em abrir uma companhia, pois tínhamos dinheiro para tal, mas ficaríamos totalmente descapitalizados se levássemos a ideia adiante. Como dinheiro do prêmio, decidimos por realizar nosso sonho. Contratamos um contador, compramos uma câmera e uma ilha de edição. Nasceu a Rio Metrópole. E mais: pretendo concorrer ao “Curta Criativo” este ano novamente, pois ainda estou dentro dos limites do regulamento do concurso.

Que tarefas você desempenha dentro de sua produtora?
Mikael: Resolvemos dividir as tarefas em quatro áreas: criativa, financeira, comercial e administrativa. O comercial “vende” o nosso “produto” para possíveis clientes; o financeiro organiza o dinheiro em caixa; o criativo, que é a minha parte, é o responsável por escrever os textos para editais, os roteiros, ter ideias, enfim. E por último, a parte administrativa, que é quem põe ordem na casa: cobra cronogramas, verifica as receitas e as despesas, marca reuniões com clientes etc.

A Rio Metrópole já tem produções próprias?
Mikael: Já temos, sim. Há os projetos autorais, que produzimos para concursos, mostras e festivais, e os filmes comerciais, que sustentam a produtora. Já temos um portfólio bacana para apresentar: fizemos o making of das sessões de fotografia de catálogos para as grifes Datelli e Monte Carlo Joias e um vídeo institucional para o Vertical Shopping, no Centro da Cidade, entre outros. Pretendem investir em videoclipes e há um projeto de um programa de entrevistas de para a internet, exclusivamente, quinzenal e com duração de dez minutos. A atração contará com um blog e seus episódios serão disponibilizados no YouTube.

Que conselho daria a um jovem que, como você no ano passado, deseja entrar no meio cinematográfico?
Mikael: Primeiramente, devo dizer que, para se tornar um cineasta, não é obrigatório que se curse uma faculdade. Cinema é arte e está associada à sua sensibilidade, e não às regras acadêmicas. É preciso ser sincero consigo próprio. Por outro lado, as universidades oferecem os instrumentos que viabilizam que você realize sua obra, além de despertar o interesse do aluno por outras linguagens cinematográficas. E, o mais importante, é o ambiente ideal para se conhecer pessoas com os mesmos interesses que o seu: o cinema.

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