Victor-Hugo Borges: Brasil precisa de um circuito mais amplo de curtas

Victor-Hugo Borges

Victor-Hugo Borges

Vencedor da categoria Melhor Curta-Metragem de Animação do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2010, com “O Menino que Plantava Invernos”, Victor-Hugo Borges acredita que, apesar da sinceridade artística que um curta-metragem pode ter, ele é um produto e precisa chegar às pessoas. Por isso, segundo o diretor, é necessário que haja um circuito mais amplo e popular de distribuição desses filmes.

Em entrevista para o “Curta Criativo”, Borges, que tem em seu currículo os curtas-metragens “Icarus”, “Des Fantastik Sucric”, “El Chateau” e “Historietas Assombradas”, disse também que a animação é um dos suportes criativos mais ricos que existem. E para aqueles que querem inscrever seus curtas-metragens de animação no concurso “Curta Criativo 2010”, a dica é uma só: criatividade.
Confira a entrevista!
Por que você decidiu fazer curtas de animação?
Porque sempre achei um dos suportes criativos mais ricos que existem, pois mistura artes plásticas, narrativa, música.
De onde sai sua inspiração para criar as histórias e os personagens dos seus curtas?
Meu processo de criação é recorrente. Eu visualizo uma imagem, como um quadro, depois executo essa imagem em pintura acrílica. Em cima desse “momento paralisado” eu começo a pensar em como seria o universo em torno dele. Como os personagens pensam e agem, como as cores se misturam, que tipo de música e textura sonora casa com aquilo, como uma narrativa pode surgir a partir do potencial desses elementos.
Qual deles você mais gosta? Por quê?
Essa pergunta é muito difícil de responder, pois cada trabalho tem um tipo de valor diferente. E por mais que possa parecer piegas, são todos como filhos.
Os curtas-metragens que usam 3D, como o Icarus, são mais trabalhosos?
Icarus na verdade é meio “mixed media”. Tem 3D, cut-out, stop motion. Mas eu diria que a técnica principal é stop-motion, que é sem dúvida, potencialmente trabalhosa por conta dos custos físicos e do labor manual da animação, que geralmente toma um tempo enorme comparada com técnicas digitais.
“O menino que plantava invernos” foi eleito o melhor curta-metragem de animação no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, a maior premiação do cinema nacional. Isso te incentiva ainda mais a continuar a fazer curtas animados?
Na verdade, não. Pelo menos, criativamente falando. Acho que existe um fator de relatividade/subjetividade enorme com relação a prêmios. Mas, sem dúvida, os prêmios ajudam a fortalecer e dar credibilidade ao seu nome perante apoios, patrocínios, crítica e público. Tenho uma sorte enorme de viver do que gosto e muito disso se deve ao fato de ter conquistado prêmios e estabelecido meu nome como um diretor que entrega produtos bem acabados, que fazem valer a confiança de apoiadores. Como curta-metragem depende muito de patrocínios públicos e privados, isso, sem dúvida, ajuda.
Você já pensou em fazer um longa-metragem de animação?
Estou na pré-produção de meu primeiro longa metragem. Demorou 5 anos para começar, mas eu e minha equipe estamos muito excitados com as possibilidades criativas que envolvem uma história longa.
Como você avalia o mercado de curtas-metragens brasileiro? Há incentivo?
Há incentivo, mas naturalmente nem todo mundo consegue engrenar uma carreira produtiva. Essa questão não esbarra somente em políticas públicas, tem a ver também com aspectos culturais da gente. É um papo longo, e de forma alguma eu conseguiria opinar de forma relevante. Além das questões de incentivos para execução, é necessário que exista um circuito mais popular/amplo/comercial de distribuição desses produtos, festivais não cumprem com a função dos curtas enquanto “produtos”. E apesar de toda a vontade e sinceridade artística que um curta pode ter, se custou dinheiro (quase sempre público), é um produto, e como qualquer produto, necessita de mobilidade, precisa chegar às pessoas.
É difícil conseguir patrocínio para curtas de animação?
Eu consegui apoios e patrocínios para muitos projetos, mas infelizmente meu fluxo produtivo não pode ser usado como média. Conheço muita gente talentosa que teve poucas chances de produzir. Eu passo meses em cima de um projeto antes dele ser inscrito, estudo os editais e parceiros, escolho em qual deles me focar, uso muito material ilustrativo bem acabado, tento ser direto e sincero quanto aos meus objetivos com o projeto. Animação tem um aspecto visual amplificado, tento usar isso a meu favor, pois os jurados de editais não são obrigados a entender completamente minhas intenções, então eu me esforço para mostrar por que vale a pena investir na minha ideia de forma visual e objetiva.
O que não pode faltar em um curta de animação inscrito no concurso “Curta Criativo”?
Criatividade.
Que dicas você pode dar para os futuros cineastas que queiram fazer curtas de animação?
Sejam obsessivos com tudo que envolve o desdobramento de uma idéia e respeitem seu público, que no final das contas está doando seu tempo para você. O público concede, empresta uma energia que você tem que devolver com juros. Fama e glamour não existem. É só uma ilusão da mídia para ajudar a selecionar quem merece ter a chance de criar.

Em entrevista para o “Curta Criativo”, Borges, que tem em seu currículo os curtas-metragens “Icarus”, “Des Fantastik Sucric”, “El Chateau” e “Historietas Assombradas”, disse também que a animação é um dos suportes criativos mais ricos que existem. E para aqueles que querem inscrever seus curtas-metragens de animação no concurso “Curta Criativo 2010”, a dica é uma só: criatividade.

Confira a entrevista!

Por que você decidiu fazer curtas de animação?

Victor-Hugo Borges: Porque sempre achei um dos suportes criativos mais ricos que existem, pois mistura artes plásticas, narrativa, música.

De onde sai sua inspiração para criar as histórias e os personagens dos seus curtas?

Victor-Hugo: Meu processo de criação é recorrente. Eu visualizo uma imagem, como um quadro, depois executo essa imagem em pintura acrílica. Em cima desse “momento paralisado” eu começo a pensar em como seria o universo em torno dele. Como os personagens pensam e agem, como as cores se misturam, que tipo de música e textura sonora casa com aquilo, como uma narrativa pode surgir a partir do potencial desses elementos.

Qual deles você mais gosta? Por quê?

Victor-Hugo: Essa pergunta é muito difícil de responder, pois cada trabalho tem um tipo de valor diferente. E por mais que possa parecer piegas, são todos como filhos.

Os curtas-metragens que usam 3D, como o Icarus, são mais trabalhosos?

Victor-Hugo: Icarus na verdade é meio “mixed media”. Tem 3D, cut-out, stop motion. Mas eu diria que a técnica principal é stop-motion, que é sem dúvida, potencialmente trabalhosa por conta dos custos físicos e do labor manual da animação, que geralmente toma um tempo enorme comparada com técnicas digitais.

“O menino que plantava invernos” foi eleito o melhor curta-metragem de animação no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, a maior premiação do cinema nacional. Isso te incentiva ainda mais a continuar a fazer curtas animados?

Victor-Hugo: Na verdade, não. Pelo menos, criativamente falando. Acho que existe um fator de relatividade/subjetividade enorme com relação a prêmios. Mas, sem dúvida, os prêmios ajudam a fortalecer e dar credibilidade ao seu nome perante apoios, patrocínios, crítica e público. Tenho uma sorte enorme de viver do que gosto e muito disso se deve ao fato de ter conquistado prêmios e estabelecido meu nome como um diretor que entrega produtos bem acabados, que fazem valer a confiança de apoiadores. Como curta-metragem depende muito de patrocínios públicos e privados, isso, sem dúvida, ajuda.

Você já pensou em fazer um longa-metragem de animação?

Victor-Hugo: Estou na pré-produção de meu primeiro longa metragem. Demorou 5 anos para começar, mas eu e minha equipe estamos muito excitados com as possibilidades criativas que envolvem uma história longa.

Como você avalia o mercado de curtas-metragens brasileiro? Há incentivo?

Victor-Hugo: Há incentivo, mas naturalmente nem todo mundo consegue engrenar uma carreira produtiva. Essa questão não esbarra somente em políticas públicas, tem a ver também com aspectos culturais da gente. É um papo longo, e de forma alguma eu conseguiria opinar de forma relevante. Além das questões de incentivos para execução, é necessário que exista um circuito mais popular/amplo/comercial de distribuição desses produtos, festivais não cumprem com a função dos curtas enquanto “produtos”. E apesar de toda a vontade e sinceridade artística que um curta pode ter, se custou dinheiro (quase sempre público), é um produto, e como qualquer produto, necessita de mobilidade, precisa chegar às pessoas.

É difícil conseguir patrocínio para curtas de animação?

Victor-Hugo: Eu consegui apoios e patrocínios para muitos projetos, mas infelizmente meu fluxo produtivo não pode ser usado como média. Conheço muita gente talentosa que teve poucas chances de produzir. Eu passo meses em cima de um projeto antes dele ser inscrito, estudo os editais e parceiros, escolho em qual deles me focar, uso muito material ilustrativo bem acabado, tento ser direto e sincero quanto aos meus objetivos com o projeto. Animação tem um aspecto visual amplificado, tento usar isso a meu favor, pois os jurados de editais não são obrigados a entender completamente minhas intenções, então eu me esforço para mostrar por que vale a pena investir na minha ideia de forma visual e objetiva.

O que não pode faltar em um curta de animação inscrito no concurso “Curta Criativo”?

Victor-Hugo: Criatividade.

Que dicas você pode dar para os futuros cineastas que queiram fazer curtas de animação?

Victor-Hugo: Sejam obsessivos com tudo que envolve o desdobramento de uma idéia e respeitem seu público, que no final das contas está doando seu tempo para você. O público concede, empresta uma energia que você tem que devolver com juros. Fama e glamour não existem. É só uma ilusão da mídia para ajudar a selecionar quem merece ter a chance de criar.

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